Viva e deixe viver...

Viver é como estar constantemente no "país das maravilhas", por isso estou sempre no limite da razão, porque a vida é bela, insana e incerta, e como diria um cantor: " depende de como você a vê..."

segunda-feira, 3 de março de 2014

Ahh o amor... esse grande trolador!

Quando criança imaginava que me apaixonar seria fácil, que encontraria o grande amor, que ele viria num cavalo branco e declararia amor eterno. Infelizmente meu sonho de amor foi posto de lado muito cedo. Freud certamente explicaria meu repúdio explícito pelo amor, tudo culpa do meu pai.
Passado os anos, fui me acostumando com a ideia de que o amor não era para mim, repeti tantas vezes isso que acreditei e não apenas eu, mas todos a minha volta. Qual não foi a minha surpresa quando outro dia, um amigo postou uma frase que lera num livro de Arthur Conan Doyle em minha página do facebook e disse: "Nossa, isso é muito sua cara". A frase era a abaixo:

" Sua inteligência fria e precisa, porém admiravelmente equilibrada, abominava todas as emoções, em especial o amor."

 A frase em questão era a descrição que o personagem de Sherlock Holmes fazia de Irene Adler. Ao ler isso na minha página e ver que as pessoas curtiam aquilo como se ratificasse a informação, fiquei pensando: quando foi que me tornei essa pessoa, cujas pessoas acreditam que repudia o amor?
Tirei isso da minha cabeça e fui ver o episódio de Grey's Anatomy, não eu não estava me punindo, eu realmente gosto de assistir e estava louca para saber o desfecho do "Caso April". 
O parágrafo a seguir contém SPOILER, simplesmente porque esse episódio me provocou uma epifania.
A escolha da April mexeu com todas as escolhas que eu já tinha feito na vida e cheguei a conclusão, que também é uma confissão, que somos geneticamente programadas para escolher os caras errados (perdoe-me a generalização, mas quem nunca acordou do lado de um caro se sentindo um lixo por ter feito de novo a péssima escolha, atire a primeira pedra). E fiquei pensando quando foi que cada escolha que fiz tornou-se apenas um padrão (ruim)? Talvez seja puro masoquismo, nós, mulheres não escolhemos a vida romântica que poderíamos ter, apenas aquela com a qual podemos lidar. Não tem um livro que diz que nós só aceitamos o amor que achamos merecer. A escolha da April não foi entre dois homens, mas sobre a perfeição que ela jamais poderia corresponder.
E, entendo a April, não gostei da escolha dela, pois como mulher acho que merecemos mais, merecemos um Mathew, mas inexoravelmente escolhemos sempre o Avery.
Sim, sei que ela no fim das contas não amava o Mathew o suficiente para esquecer o Avery, mas será? Será que tudo isso não se resumiu ao não ser capaz de retribuir tal amor? Pergunto-me, pois nunca escolho o cara perfeito, sempre o cara que vai me magoar.
É engraçado, já tenho uma lista pronta, sei exatamente como e quando vou ser magoada pela escolha da vez. E não tenho ideia de quando foi que eu passei a merecer menos amor, quando deixei de acreditar no príncipe encantado e passei apenas a não acreditar no amor.



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