Viva e deixe viver...

Viver é como estar constantemente no "país das maravilhas", por isso estou sempre no limite da razão, porque a vida é bela, insana e incerta, e como diria um cantor: " depende de como você a vê..."

domingo, 28 de setembro de 2014

Show do Metallica e viagem à Sampa!

"Alguma coisa acontece no meu coração, que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João. É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi da dura poesia concreta de tuas esquinas"

São Paulo é uma cidade que nunca me interessou. Confesso, tinha uma birra com a cidade. Sou de Brasília, gosto de horizonte, de ruas amplas, de quadras em sistema cartesiano. Amo minha cidade sem esquinas,o fato de tudo ser plano, adoro a cor do céu de Brasília. E São Paulo sempre me pareceu dura, com seus prédios imensos, suas ruas de ladeira, suas avenidas. Nunca foi um lugar que eu tivesse vontade de conhecer. 
Até que foi anunciado que haveria Show do Metallica, havia perdido o dia do metal no Rock in Rio/2011 e não queria perder a chance de ver a banda. Anunciaram o show e comentei com minha parceira de show que topou de cara ir. Uma de minhas amigas de faculdade havia se mudado pra Sampa, e foi ela que me contou do show, então decidi juntar o útil ao agradável.
Primeira etapa: Ingressos. Infelizmente, quando decidimos ir não conseguimos mais pista, compramos arquibancada superior, mas tudo bem. Estaríamos lá. 


O show seria num sábado, decidimos ir na sexta e voltar na segunda de madrugada. Quando entrei em contato com minha amiga de Sampa para combinar de nos vermos, ela sugeriu que fossemos ao Metallica Day, um evento que ocorreria num barzinho chamado Manifesto Bar. Aliás, o bar é incrível, tem várias guitarras autografadas por grandes nomes do rock internacional. É um ambiente agradável, bem rock n' roll. Tocaram diversas bandas covers do Metallica. Chegamos bem tarde ao Metallica Day, pois demoramos a conseguir táxi do aeroporto até o hostel. 
Ficamos no Hostel Casa da Árvore, que aliás, super recomendo. O Hostel é bem organizado, o atendimento é bem bom. O banheiro é uma espécie de vestiário e fica no quarto. 
A primeira noite em São Paulo, fomos ao Manifesto Bar escutar Metallica para esquentar pro Show.


No outro dia, fomos andar por São Paulo. Fomos até a galeria do Rock, compramos algumas blusas, chaveiros, tranqueiras de turistas no geral. Passamos pelo cruzamento da avenida Ipiranga com a São João e foi impossível não lembrar da música (risos). Até fiz um check in no Facebook apenas para cantar o trecho da música. Depois voltamos ao hostel para descansar um pouco.
Uma coisa que achei muito legal é que tem uma máquina de livros nas estações do metrô. Achei tão incrível isso. Aliás, o metrô é fantástico também, sei que os paulistas reclamam bastante da super lotação, mas achei bem tranquilo circular por ele, e o melhor tem estação em tudo que é buraco. São várias ramificações, quem dera se o daqui fosse que nem.
Não é lindo? Cultura a um preço acessível!
Na hora de ir ao show foi uma saga. Decidimos pegar ônibus, teríamos que subir as ladeiras de São Paulo até o local onde o ônibus passava. Como o Show foi no Morumbi, não foi em um lugar de fácil acesso. Pegamos um ônibus, descemos até a rua que era indicada no google maps, e esperamos o outro ônibus que teríamos de pegar...ele não passou. 

Ficamos quase uma hora e nada. Começamos a ficar desesperadas, com medo de perder o show, então descemos para um ponto onde tinha táxis e pegamos um. Chegamos bem em cima do show. Também encontramos um amigo meu que eu conheci na Oktoberfest e que é de São Paulo e combinamos de se encontrar lá. 
Quando entramos no estádio, o céu estava limpo. Foi apenas o tempo de começar o show e começou a chover e fazer frio, não tínhamos levado capa de chuva ou blusa de frio, choveu o show inteiro. E apesar de estarmos nas últimas arquibancadas, achei o som muito bom. Foi super de boa ouvir o show, o telão era enorme.

E apesar do chuva, o show foi fantástico! Como a ideia do show era que os fãs escolhessem o repertório, vocês podem imaginar que só saíram grandes sucessos, as músicas que nunca cansamos de ouvir: Enter Sandman, Sad but true, Nothing else matters, the unforgiven, etc.
E o melhor: James Hetfield alucinando na chuva! Gente, esse homem quanto mais velho, mais perfeito fica!
Foto: vejasp.abril.com.br
Quando acabou o show ficou aquela sensação de que nada apagaria aquele momento.


Após o show, iniciamos nossa saga para voltar pra casa. E quem diria que numa cidade conhecida pela acessibilidade do sistema de transporte e onde costuma haver grandes obras e eventos, seria tão difícil sair do Morumbi. Primeiro, porque o lugar fica no meio do bairro, não tem escoamento. O show acabou meia noite, demoramos quase uma hora só pra conseguir ir pra uma avenida onde supostamente deveria haver transporte. Na chuva, no frio e procurando lugares para se esconder dos dois. Não tinha ônibus, não tinha táxi, não tinha lugares abertos. Então, achamos um habibs que obviamente tinha gente saindo pela culatra, todos se escondendo da chuva e do frio. O lugar tinha fila pra entrar pra pegar a fila pra pedir esfirra, pra esperar na fila e conseguir uma mesa (sim, estava ruim nesse nível). Depois que as meninas conseguiram comer, achamos uma marquise do outro lado que estava menos cheia e daria para sentar um pouco. Ficamos lá até quase amanhecer tremendo de frio e com uma dormindo por vez. Até que o movimento diminuiu e os táxis começaram a aparecer, foi quando conseguimos ir pro hostel. Juro que achei que o calor nunca mais ia voltar pro meu corpo. 
E agora quando voltarmos a Sampa, já sabemos que é preciso combinar com um taxista antes. Os caras combinam com as pessoas e elas realmente esperam as pessoas... é bizarro.
No outro dia fomos nos encontrar com minhas amigas (a que mora em Sampa e uma que foi fazer prova lá), combinamos de nos encontrar na cultura (e gente...pausa dramática... que lugar é aquele?!). 
Juro que queria morar lá dentro. A livraria cultura de São Paulo toma praticamente um prédio inteiro, você respira cultura. É gente sentada e esparramada por todos os cantos lendo. É lindo de se ver.
E pra fechar com chave de ouro, coffee na Starbucks!


"Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto, chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto. É que Narciso acha feio o que não é espelho"

Garota Exemplar - Gillian Flynn

Garota exemplar é um livro que traz a história do casamento de Nick e Amy, ele é contato por capítulos dos personagens que relatam suas experiências/perspectivas sobre a vida em comum. Na primeira parte temos relatos do diário de Amy e partes da vida de Nick, ajudando a construir a atmosfera das perspectivas deles com relação ao seu relacionamento. A trama envolve mentiras, amor doentio, traição e um rede intricada de suspense. 
Confesso que tinha visto o trailer no cinema antes de comprar o livro. Então, já sabia que se tratava de um suspense e que havia algo relacionado a um assassinato e que o esposo estava sendo acusado. Daí que um dia estava passeando pela livraria (faço isso constantemente quando tenho compromissos e preciso passar o tempo) e as letras de garota exemplar no livro preto ficaram pulando na minha frente e daí decidi comprar o livro. E comecei a ler, achei a história bem tranquila, um começo apresentando os personagens: quem eles são, como agem e tudo que é necessário pra que possamos nos identificar com eles.
Com o passar da leitura, fiquei absolutamente obcecada. A cada página, o comportamento das personagens iam adquirindo significado e faziam tanto sentido.
Nick é o cara sempre ordinário (no sentido de mediano), aquele que não está destinado a grandes coisas, e que apenas está por ali. Ele é escolhido por Amy porque seria o cara perfeito para Amy exemplar, e torna-se o ponto focal de Amy.
Amy é a garota que está destinada a sempre competir com a Amy exemplar (personagem de livro criada por seus pais, psicólogos). Essa necessidade de corresponder as expectativas de "eu ideal" faz com que Amy passe a dissimular o comportamento para que ele sempre esteja próximo do comportamento da Amy Exemplar.
Com isso, todas as suas atitudes e comportamentos, que beiram a sociopatia, são uma tentativa de permanecer no modelo imaginado por seus pais. Sempre em busca de se adequar a imagem do eu ideal, anulando o ideal de eu.
É um livro extremamente interessante.