Viva e deixe viver...

Viver é como estar constantemente no "país das maravilhas", por isso estou sempre no limite da razão, porque a vida é bela, insana e incerta, e como diria um cantor: " depende de como você a vê..."
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quinta-feira, 30 de novembro de 2017

CUJO - Stephen King



Fiz uma resenha deste livro no Canal C.Thiari - Book's Anatomy e você pode conferir aqui. Inscreva-se no canal e acompanhe as atualizações.


Eu não canso de dizer o quanto eu amo Stephen King, ele é o meu autor favorito. Sou completamente obcecada pelos livros dele, o que não quer dizer que eu adore tudo que ele faça, mas certamente leio.
Dito isso, Cujo não é um dos meus livros favoritos, gosto da história, mas li só umas duas vezes (o que é uma medida para o quanto eu gosto - sou dessas que lê milhares de vezes a história até respirar os personagens).
O livro saiu nessa edição linda da Biblioteca King - Suma de Letras e foi publicado originalmente em 1981.
O livro traz a história de Cujo - um cão da raça São Bernado, com esse nome mega esquisito e que é um cachorro super bonzinho, mas que ao ser mordido por um morcego adquire raiva e se transforma num monstro ensandecido.
Cujo é um dos livros de Stephen King que não trazem essa coisa do sobrenatural tão presente na obra do king, o angustiante nesse livre é a tortura psicológica vivenciada pelos personagens ao não ter como escapar do desejo assassino de cujo.
Além disso, você acompanha o cotidiano e as histórias dos personagens o que é sempre um bônus nos livros do king, pois o melhor do stephen king são os personagens.
Os personagens de importância são a família Trenton, composta pelo Vic, Donna e Tad; e a família Camber, composta pelo Joe, Charity e Brett (dono do cujo).


Tem um filme também de 1983 que é uma adaptação muito boa da obra, embora com todas as questões de ser um filme antigo (imagem, atuação).

As alegrias da Maternidade e a estrutura patriarcal



As Alegrias da Maternidade, livro da autora inédita no Brasil, foi trazido pela TAG-Experiências Literárias na indicação de outubro.
Uma das coisas que gosto sobre a TAG-Experiências Literárias é o fato de que não são livros óbvios e poucos deles, eu de fato faria a escolha de ler. Sou assinante e como todos estava super empolgada com o livro de outubro, pois seria indicação da Chimamanda, já falei sobre os livros dela aqui. Ao receber o livro, fiquei bem desapontada, pois o título era: As alegrias da maternidade.
Qualquer pessoa que me conheça, sabe que se eu tenho uma certeza na vida é de que não quero ter filhos. Não é que eu odeie crianças, na verdade eu as adoro, trabalho com elas, inclusive. Porém, essa coisa da maternidade (talvez por ser algo que a sociedade tenta nos impor com tanta violência), nunca foi algo que tenha reverberado em mim. Para além disso, a ideia de ser responsável por alguém além de mim (sim, sei que soa egoísta) não me aprazia.
Dito isso, vi aquele livro que em si parecia meio rústico, com um tema que não me agradava parado diante de mim e sem me proporcionar qualquer que seja a vontade de ler.
Obviamente nunca se deve julgar um livro pela capa (ou pelo tema). Li a revista que vem junto com o livro, que ainda assim não me despertou a vontade, mas dei inicio a leitura assim mesmo, e Oh meu deus, como estava enganada sobre o que continha essas páginas.
Já no ínicio fui apresentada a uma realidade diferente, uma cultura cercada por suas peculiaridades e isso me atraiu.
A medida em que fui realizando a leitura me dei conta de que ali havia uma preciosidade. Uma crítica sobre o papel da mulher na sociedade, sobre a romantização da maternidade e pensei: Yes, bitch! My kind a book.
Mas tenho uma coisa a confessar: não foi um livro fácil de ler, foi um livro muito desconfortável, principalmente por tratar de temas que me são muito caros. O sofrimento e a angustia vivenciada pela personagem  e o fato de ela entender aquilo como condição de sua existência feminina é um soco no estomago. E isso sim, trouxe muitas reverberações em mim. E por isso, no meio do caminho, precisei fazer várias paradas para pensar sobre a mensagem que o livro trazia, a realidade que ele nos apresentava.
O livro conta a história de Nhu Ego, filha de um chefe tribal e de uma mulher chamada Ona, eles pertencem a etnia Igbo (a maior na nigéria) e por costume entregam as mulheres ao casamento e recebem dotes por elas. As mulheres tem um papel determinado nessa sociedade tribal que é o de dar filhos, de preferência homens, para perpetuar o nome de seus maridos. Esse livro é basicamente sobre a romantização da maternidade, a sociedade patriarcal e o custo que isso representa para as mulheres.
Nhu Ego, nossa personagem principal estava ali para cumprir seu papel na sociedade, que era o de ser  mãe. Não experienciar das alegrias da maternidade (que diziam ser a alegria de dar tudo aos filhos, inclusive sua vida se assim o desejarem) não era uma opção. A primeiro momento ao não conseguir corresponder o que a sociedade esperava dela, Nhu Ego quis a morte, pois o que é a mulher se não consegue ser mãe? Como ela mesma trouxe em determinado momento: Quando é que Deus irá criar uma mulher que se sinta plena e não um apêndice de alguém? Nós mulheres corroboramos com o sistema que privilegia homens e discrimina mulheres por serem mulheres e enquanto não mudarmos isso, este mundo, continuará sendo um mundo de homens.
Eu não tenho palavras para expressar o presente que foi esse livro, fiz uma resenha dele no meu canal do youtube: C.Thiari - Book's Anatomy, inscreva-se e receba atualização sobre as resenhas novas.



domingo, 28 de setembro de 2014

Garota Exemplar - Gillian Flynn

Garota exemplar é um livro que traz a história do casamento de Nick e Amy, ele é contato por capítulos dos personagens que relatam suas experiências/perspectivas sobre a vida em comum. Na primeira parte temos relatos do diário de Amy e partes da vida de Nick, ajudando a construir a atmosfera das perspectivas deles com relação ao seu relacionamento. A trama envolve mentiras, amor doentio, traição e um rede intricada de suspense. 
Confesso que tinha visto o trailer no cinema antes de comprar o livro. Então, já sabia que se tratava de um suspense e que havia algo relacionado a um assassinato e que o esposo estava sendo acusado. Daí que um dia estava passeando pela livraria (faço isso constantemente quando tenho compromissos e preciso passar o tempo) e as letras de garota exemplar no livro preto ficaram pulando na minha frente e daí decidi comprar o livro. E comecei a ler, achei a história bem tranquila, um começo apresentando os personagens: quem eles são, como agem e tudo que é necessário pra que possamos nos identificar com eles.
Com o passar da leitura, fiquei absolutamente obcecada. A cada página, o comportamento das personagens iam adquirindo significado e faziam tanto sentido.
Nick é o cara sempre ordinário (no sentido de mediano), aquele que não está destinado a grandes coisas, e que apenas está por ali. Ele é escolhido por Amy porque seria o cara perfeito para Amy exemplar, e torna-se o ponto focal de Amy.
Amy é a garota que está destinada a sempre competir com a Amy exemplar (personagem de livro criada por seus pais, psicólogos). Essa necessidade de corresponder as expectativas de "eu ideal" faz com que Amy passe a dissimular o comportamento para que ele sempre esteja próximo do comportamento da Amy Exemplar.
Com isso, todas as suas atitudes e comportamentos, que beiram a sociopatia, são uma tentativa de permanecer no modelo imaginado por seus pais. Sempre em busca de se adequar a imagem do eu ideal, anulando o ideal de eu.
É um livro extremamente interessante. 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

A menina que roubava livros

Qualquer um que me conheça, e nem precisa conhecer muito, sabe que amo livros. Em menos de um ano, troquei minha estante três vezes por cederem com o peso dos livros. Pois não basta que seja livros, é preciso que sejam físicos, digo isso, pois atualmente virou moda e-readers, tablets e etc, cumprirem a função de livros. Não tenho nada contra a tecnologia, inclusive tenho um e-reader (mais livros disponíveis), mas amo o peso do livro, o cheiro do livro, a sensação de virar a página. Tem muitos autores e livros que são caros ao meu coração, daqueles que não empresto, não dou e não vendo (mentira, super empresto! Acho que o conhecimento deve ser compartilhado, divulgado e ampliado). Tudo isso para dizer que o livro: A menina que roubava livros tem um lugar no meu coração que jamais poderá ser ocupado por outro livro.
Engraçado que comprei o livro por causa da capa (tá bom, sei que nunca se deve julgar um livro pela capa, mas julguei #soudessas), fiquei imensamente intrigada pelo fato de ser uma história contada pela morte, pelo próprio título que me chamou atenção. E ficava sempre pensando: por que raios uma menina roubava livros? No fundo, até entendia ela, mas fiquei curiosa para entender o por quê.
Ao ler o livro, descobri que era ambientado no nazismo (segundo ponto que ganhou comigo), que ela não sabia ler, mas que as palavras a fascinavam (terceiro ponto), que ela escondeu um judeu (aqui ela ganhou vários pontos, a essa altura vou parar de contabilizar) e principalmente que as palavras salvaram sua vida. Os livros sempre me proporcionaram fascinação e sempre foram meus melhores amigos quando criança. Tenho dois irmãos mais velhos que eu, nunca tive irmãs. Aprendi a ler muito cedo para suprir a falta de outras crianças com as quais eu pudesse brincar, desde então, os livros tornaram-se meus amigos, meu prazer secreto, meu refúgio. É claro que super entendia a menina que roubava livros, nos livros ela podia refugiar-se longe de toda a insanidade humana, longe daqueles que detinham o julgamento supremo, que  se nomeavam senhores da justiça e decidiam quem vivia e morria. Como não amar alguém que sabe que as palavras tem poder e não digo isso, no sentido do provérbio, mas no sentido amplo do qual abstrai-se a noção de que somente através da educação, da disseminação do conhecimento é possível diminuir um pouco o abismo da intolerância. Ok, sou meio nerd! Mas o que esperar de alguém que leu Nietzsche aos doze anos de idade?!
Eu senti de verdade e inteiramente toda a dor da menina que roubava livros e chorei loucamente sobre o livro. Importante ressaltar que li há muito tempo, quando lançou por aqui no Brasil. E era desses livros que todo mundo que eu via, quer quisesse saber ou não, dizia para ler o livro, que isso era imperioso, pois o livro era fantástico. Claro que a forma como o livro me tocou, dizia mais sobre mim do que sobre ele, mas isso não vinha ao caso.
Quando anunciaram o filme, pensei: preciso ver. Em janeiro desse ano estreou e fiquei maluca para assistir, no entanto, minha vida tem estado muito louca, mas muito mesmo. E, infelizmente, não tenho conseguido organizar o que quero e o que preciso. Tentei diversas vezes e não consegui assistir até uma semana atrás que tive uma folga e tratei de me descambar para o cinema mais próximo. Quando entrei na sala de cinema, a emoção era tanta que eu chorava descontroladamente, antes de iniciar a cena X eu já estava me debulhando em lágrimas, o motivo? Simples, o filme era tudo que esperava do livro. Quando dava sinal das próximas cenas, a imagem que criei ao ler o livro me assolava e as lágrimas já desciam anunciando o que estava por vir. 
Sim, sou chorona pra caramba com livros, filmes e séries, me apego aos personagens, entendo que a história de Liesel Meminger precisava de todo o sofrimento, assim como entendo, mas não aceito o sofrimento da Arya em GOT, #soudessas. 
A menina que roubava livros, cujas palavras salvaram a vida, não merecia tantas provações. Era apenas uma criança lidando com a vida, mas quantas crianças não existem assim? Que apenas lidam com a vida, todos os dias e que igualmente não merecem tais provações. E sim, eu chorei, chorei por todas as crianças, cujas histórias não foram contadas, mas que estão silenciosamente incluídas e cuja saga de não ser enxergada repete-se todos os dias em todos os países do mundo.
A menina que roubava livros foi apenas mais uma sobrevivente da estupidez humana (sei que não é real, só estou divagando a respeito).

Assistam o filme, leiam o livro, reflitam sobre ele. Ganha tantas estrelinhas e coraçõezinhos na minha tabela de adoração que parece até exagero.



quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O Talismã e A Casa Negra

Como todas as pessoas do mundo, tenho preferências por livros e escritores, leio quase tudo que me apresentam de outdoor à Bíblia, e isso se deve ao fato de que eu amo as palavras, simplesmente porque elas me fascinam.
Tenho alguns (muitos) livros, vou sempre a feiras de livros, sebos e livrarias e faço algumas aquisições.... possuo mais livros do que lugar para guardá-los, e leio e releio quantas vezes me der na telha;
Sim, já cheguei a ler o mesmo livro uma dezena de vezes, só por ler... "O Talismã" e sua sequência "A Casa Negra", são dois desses livros que sempre eu me pego folheando, mesmo eu conhecendo a história de trás pras frente.
Sou sempre suspeita ao falar de Stephen King, pois já li quase tudo o que publicou, tenho uma coleção de livros dele que ocupa algumas prateleiras da minha estante de livros (que diga-se de passagem não aguenta mais o peso de livro algum).
A verdade é que minha relação com os livros do autor é visceral!E com esses dois é mais especial ainda, por que? Porque foi o primeiro dele que li, foi o livro que me introduziu ao mundo do King. Quem conhece o estilo muito peculiar do autor, sabe que esses dois livros não tem absolutamente nada a ver com o estilo dele...hahahah
Mas você consegue sentir a mão do King em toda história, é a união do mundo fantástico do Straub com os personagens marcantes de King.
"O Talismã" é a história de um garotinho em busca da salvação de sua mãe, a história se passa no nosso mundo e num mundo paralelo, onde ele enfrenta perigos e participa de aventuras, mas é mais que isso, é uma história sobre valores, sobre comprometimento.
Nesse primeiro livro, King e Straub, apresentam o mundo nu e cru, com situação tão aflitivas para uma criança que nos fazem sofrer juntamente com o personagem e torcer por ele. A história traz o crescimento do personagem diante das situações enfrentadas, ele sai garoto de seu ponto de partida e retorna crescido, mas não tão crescido, porque como disse King: por ser a história de um garoto, ela deve terminar aqui, enquanto ele ainda é um garoto ( ou algo do tipo).
Já "A Casa Negra", aliás, curiosidade, foi escrita uns 18 anos depois de "O Talismã", e traz Jack, personagem do livro, já adulto. Esse é um livro pesado, que traz a maldade do ser humano, que despedaça vidas;
Penso que a soma do universo de Straub e os personagens marcantes de King deu muito certo, suscita em nós os sentimentos mais controversos possíveis, personagens que amamos e odiamos de forma tão intensa que a vontade é de entrar no livro e fazer algo!
Outra coisa legal dos livros do King, é que os personagens se repetem em outros livros dele e sempre de forma coerente;
Na minha opinião vale sempre a pena ler.
Dou nota máxima pra esses dois livros!