Viva e deixe viver...

Viver é como estar constantemente no "país das maravilhas", por isso estou sempre no limite da razão, porque a vida é bela, insana e incerta, e como diria um cantor: " depende de como você a vê..."

quarta-feira, 12 de março de 2014

I'm so tired!

Sabe quando sua mente não consegue parar? Tenho esse pequeno (enorme) problema. Deito a cabeça no travesseiro e de repente todos os pensamentos não tidos ou que necessitam de revisão me atacam, me estrangulam e giram minha cabeça me fazendo pensar e repensar em cada um deles. 
Isso ocorre com uma frequência assustadora, na maioria das vezes consigo dormir, depois de algumas horas matutando sobre cada detalhe, mas existem dias em que simplesmente não consigo desligar e passo horas a fio revirando na cama e esperando eles irem embora e me deixarem só com minha cama.
Quando estava na faculdade era comum em épocas de provas e relatórios que acontecessem esses episódios, totalmente justificados. A pressão no meu curso era assustadora, cada opinião sobre qualquer coisa tinha que conter 15 laudas e embasamento teórico de no mínimo quatro livros (sim, livros. Não artigos, não textos, LIVROS), e como meu perfeccionismo sempre foi assustador e diga-se de passagem intolerável, isso me rendia conversas esquizofrênicas entre eu e eu mesma. Sou dessas.
Na cama o debate decorria de forma impressionante, com direito a prós, contras e sínteses. Na época do TCC, precisei procurar um neurologista, pois passava dias sem dormir, num ciclo de café, sono, café, e como minha cabeça não desligava, meu corpo começou a somatizar. Explodia as mais variadas alergias, a tremedeira do olho que sabe-se aponta a necessidade do corpo desacelerar e a incontestável TPM diária. Porque sono e fome são duas coisas que me estressam horrores.
Depois de ouvir uma bronca do médico sobre o fato de eu cometer uma insanidade com o meu corpo, uma vez que tinha costume de dormir apenas 4h diárias, tinha uma rotina maluca e que não tinha tempo para descansar, continuei na mesma. Quando finalizou o curso, eu tinha tanto tempo que não sabia o que fazer com ele, preenchi da melhor forma que pude, mas ficava um vazio, então voltei para academia e passei a ocupar as noites, me voluntariei para um projeto que tinha participado ainda na faculdade, com isso ocupei meus finais de semana, entrei em outros projetos que buscavam horas que eu não possuía para cumpri-los, mas ainda assim me virei como pude. O sono ia bem, obrigada. Passei a dormir seis horas diárias, o que considero um luxo e tudo bem.
No final do ano passado, decidi que era hora de sacudir a poeira de novo. Comecei um curso que se não bastasse tomar minhas noites, também ocupava meus sábados, domingos e feriados inteiros. Eu trabalho 8h/dia e estudo à noite e ainda faço um curso sobre os conhecimentos da minha área, num período que só deus sabe.  Mas tudo bem, nesse meio tempo, como se não bastasse todo o tempo que não tenho, decidi tentar o mestrado,  e foi aí que a coisa começou a degringolar. Falhar é sempre muito pesado para mim. Todo o tempo que exijo de mim, é a parte de mim que sabe que falhar não é opção. Com a tentativa do mestrado eu estava me colocando num teste que podia retirar de mim a confiança que normalmente possuo. Isso acabou comigo. Sempre que deito, penso em todas as possibilidades que o examinador pode cobrar de mim nas provas, sobre tudo que poderia me retirar da competição. A prova oral na minha cabeça é um capítulo a parte, penso até no tipo de perguntas que eles podem fazer e elaboro as respostas convenientes. Tudo isso numa batalha entre eu e eu mesma.
Hoje tive a primeira prova, saí de lá traumatizada, pois eu estava preparada para muita coisa, mas não para a monstruosidade que foi a prova. E já prevejo uma noite em claro (outra, porque ontem já não dormi ante a perspectiva da prova) pensando em todas as respostas que eu poderia dar melhor.
E enquanto escrevo isso, percebo a real insanidade a qual me obrigo. Ninguém é infalível, mas ainda assim, a sombra da possível falha me assombra e me espreita da janela, só para me lembrar que pode ser dessa vez.
E enquanto tudo isso me vem a cabeça, escuto lá no fundo uma música dos Beatles que assinala:

"I'm so tired, I haven't slept a wink

I'm so tired, my mind is on the blink"


segunda-feira, 3 de março de 2014

Ahh o amor... esse grande trolador!

Quando criança imaginava que me apaixonar seria fácil, que encontraria o grande amor, que ele viria num cavalo branco e declararia amor eterno. Infelizmente meu sonho de amor foi posto de lado muito cedo. Freud certamente explicaria meu repúdio explícito pelo amor, tudo culpa do meu pai.
Passado os anos, fui me acostumando com a ideia de que o amor não era para mim, repeti tantas vezes isso que acreditei e não apenas eu, mas todos a minha volta. Qual não foi a minha surpresa quando outro dia, um amigo postou uma frase que lera num livro de Arthur Conan Doyle em minha página do facebook e disse: "Nossa, isso é muito sua cara". A frase era a abaixo:

" Sua inteligência fria e precisa, porém admiravelmente equilibrada, abominava todas as emoções, em especial o amor."

 A frase em questão era a descrição que o personagem de Sherlock Holmes fazia de Irene Adler. Ao ler isso na minha página e ver que as pessoas curtiam aquilo como se ratificasse a informação, fiquei pensando: quando foi que me tornei essa pessoa, cujas pessoas acreditam que repudia o amor?
Tirei isso da minha cabeça e fui ver o episódio de Grey's Anatomy, não eu não estava me punindo, eu realmente gosto de assistir e estava louca para saber o desfecho do "Caso April". 
O parágrafo a seguir contém SPOILER, simplesmente porque esse episódio me provocou uma epifania.
A escolha da April mexeu com todas as escolhas que eu já tinha feito na vida e cheguei a conclusão, que também é uma confissão, que somos geneticamente programadas para escolher os caras errados (perdoe-me a generalização, mas quem nunca acordou do lado de um caro se sentindo um lixo por ter feito de novo a péssima escolha, atire a primeira pedra). E fiquei pensando quando foi que cada escolha que fiz tornou-se apenas um padrão (ruim)? Talvez seja puro masoquismo, nós, mulheres não escolhemos a vida romântica que poderíamos ter, apenas aquela com a qual podemos lidar. Não tem um livro que diz que nós só aceitamos o amor que achamos merecer. A escolha da April não foi entre dois homens, mas sobre a perfeição que ela jamais poderia corresponder.
E, entendo a April, não gostei da escolha dela, pois como mulher acho que merecemos mais, merecemos um Mathew, mas inexoravelmente escolhemos sempre o Avery.
Sim, sei que ela no fim das contas não amava o Mathew o suficiente para esquecer o Avery, mas será? Será que tudo isso não se resumiu ao não ser capaz de retribuir tal amor? Pergunto-me, pois nunca escolho o cara perfeito, sempre o cara que vai me magoar.
É engraçado, já tenho uma lista pronta, sei exatamente como e quando vou ser magoada pela escolha da vez. E não tenho ideia de quando foi que eu passei a merecer menos amor, quando deixei de acreditar no príncipe encantado e passei apenas a não acreditar no amor.